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Uso do gesso na construção civil chama atenção de país africano

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Diário Oficial de Pernambuco – 23/07/2008

Pernambuco é um dos quatro Estados brasileiros a receber a delegação formada por integrantes do Projeto Nacional de Luta Contra a Pobreza Rural de Cabo Verde, na África, e do Projeto Dom Helder Camara, do Ministério do Desenvolvimento Agrário. Os representantes dos dois projetos foram recebidos pelo presidente da Companhia Estadual de Habitação e Obras – Cehab, Jorge Carreiro, que apresentou as experiências de tecnologias alternativas – entre elas, a que prevê a utilização do gesso – para a construção de casas populares no Estado.

 

A missão do Cabo Verde também visitou os estados do Ceará, rio Grande do Norte e Paraíba. Eles querem conhecer alternativas que contribuam com a redução do déficit habitacional no arquipélago africano, que possui cerca de 500 mil habitantes e é formado por dez ilhas de origem vulcânica, o que dificulta a extração da matéria-prima, a exemplo da areia, para construção de habitações de alvenaria convencional.

 

Um dos motivos da viagem a Pernambuco é a experiência que tem como base o pólo gesseiro do Araripe, responsável por cerca de 95% de todo o gesso utilizado no Brasil. Na cidade de Trindade, a Cehab iniciou a construção – em parceria com a Caixa Econômica Federal, o Sindicato das Indústrias de Gesso de Pernambuco e a prefeitura local – de 40 casas populares que utilizam tecnologia desenvolvida no pólo gesseiro. A idéia é que a Caixa Econômica inclua a experiência ali desenvolvida em seus programas de financiamento habitacional.

 

“Podemos afirmar que estamos com a utilização da tecnologia em fase bem avançada. O Instituto de Tecnologia de Pernambuco – Itep já homologou a utilização do gesso. Esta é uma solução que deve ser mostrada já que traz ganhos construtivos por causa da rapidez, da facilidade de transporte – que pode ser feito em pó ou em painéis – e do ponto de vista ambiental”, disse Jorge Carreiro.

 

Para se ter uma idéia, uma casa de gesso, de 40 metros quadrados, fica pronta, em média, dentro de duas semanas. Já para construir uma casa de alvenaria, são necessários cerca de 30 dias. A delegação teve a oportunidade de conhecer de perto a experiência: no pátio da Cehab, uma casa de aproximadamente 39 metros quadrados, com dois quartos, sala, cozinha e banheiro foi construída com a utilização da tecnologia alternativa e serviu de exemplo para os visitantes.

 

O coordenador técnico do Sindugesso, William Carvalho, por sua vez, apresentou um vídeo sobre a extração e as diversas formas de utilização do gesso. Durante a apresentação, ele explicou que o material é resistente e seguro, sendo possível construir edificações verticais de até cinco andares, tendo como base a estrutura convencional de vigas, por exemplo.

 

Jorge Guimarães, responsável pela mobilização social do Programa Nacional de Luta Contra a Pobreza de Cabo Verde, afirmou que a proposta do governo de seu país é vivenciar experiências e encontrar soluções que possam ser aplicadas, a médio e longo prazos, com o objetivo de reduzir o déficit habitacional no arquipélago.

   

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© Projeto Dom Helder Camara