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A arte de ser mulher no semiárido

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A 40 km do município de Santa Quitéria/CE em uma comunidade chamada Riacho das Pedras, funciona uma oficina de artesanato que mantém um grupo de oito mulheres unidas e trabalhando naquilo que fazem de melhor: ARTE.

 

As artesãs colocaram o nome do grupo de GARP (Grupo de Artesãs do Riacho da Pedra). Criado no de 2006, por um interesse das mulheres da própria comunidade e através de várias reuniões com o Projeto Dom Helder Camara – PDHC, essas guerreiras conseguiram criar o primeiro grupo de artesãs da comunidade. Para que o projeto saísse do papel, contaram com o apoio da Associação Comunitária dos Morados do Riacho das Pedras e do Instituto de Desenvolvimento da Economia Familiar – IDEF, que também deu muita força para o surgimento e desenvolvimento do grupo, junto com o Sindicato dos Trabalhadores Rurais e Igreja.

 

Quando o GARP deu inicio às suas atividades, havia 24 artesãs no grupo. Todo o trabalho era dividido entre seus membros, mantendo assim uma boa produtividade e conseqüentemente uma maior renda, mas hoje com um número menor de mulheres (oito) é comum vê-las levar trabalho para casa, quando há muita encomenda. “Quando criamos o grupo, foi pensando nas dificuldades que as artesãs da comunidade tinham em vender os seus crochês para fora. Hoje não trabalhamos apenas com crochê para fora, mas com artesanatos diversos: bonecas de pano, chaveiros, bolsas, guardanapos, almofadas e canetas de lã para os alunos. A venda das canetas é muito boa, principalmente sobre encomendas”. Afirma Liduina de Almeida Paiva, coordenadora do Grupo.

 

A organização das artesãs foi tão grande, que por meio de parceira com o Projeto Dom Helder e o IDEF, conseguiram fazer intercâmbios e cursos de artesanato para se aperfeiçoarem e desenvolverem outros trabalhos artesanais, diversificando os seus produtos. Outro curso feito por elas foi o de gestão, onde aprenderam a confeccionar suas próprias etiquetas e embalagens, até cartão de visita e e-mail as artesãs têm.

 

Como havia pouca venda na feira de Santa Quitéria, as integrantes viram a necessidade de se aventurar e conhecer outros espaços de artesanato para mostrarem os seus trabalhos. Hoje há é possível encontrar os produtos do Grupo na Feira Regional em Crateús, na Feira Estadual em Fortaleza e na Feira Popular Solidária em Sobral, onde tem um ponto de vendas na Bodega Arco.

 

A Bodega Arco faz parte da rede de Bodegas da Economia Popular Solidária, que está presente nas Regiões Centro Sul, Cariri, Inhamuns, Sobral e em Fortaleza (conhecido como Bodegão). – “Antes íamos às feiras para pesquisar preço de matéria prima, conhecer as novidades e ver que tipo de artesanato estava vendendo mais, mas agora mandamos nossos produtos para serem vendidos nessas feiras.” – Comentam as artesãs. Quebrando preconceitos e plantando com responsabilidade

 

O GARP enfrenta atualmente duas grandes dificuldades: a primeira é a demora no retorno do lucro das vendas dos produtos que vão pra as feiras, e a segunda é que o grupo não tem um local para o estoque e a confecção de seus materiais. O Garp funciona hoje na casa de Seu Chico Paiva, tio de Liduina. No começo houve muitas dificuldades, pois não havia espaço físico para que as artesãs pudessem se reunir e trabalhar. No prédio da associação funcionava uma sala de aula e por esse motivo passaram dois anos dentro da secretária da Igreja.

 

Mesmo diante de todos esse desafios, essas mulheres mantêm o sorriso, disposição para trabalhar e a esperança de que tudo pode melhorar. Liduina, Claudia, Rita, Maria Auxiliadora, Lúcia, Rute, Irene e Flávia aprenderam a trabalhar em coletividade, a mostrar superação e a buscar conhecimentos.

 

“Mesmo sem ganhar muito gostamos de fazer artesanato, a arte nos ensinou a trabalhar em equipe e nos proporcionou grandes experiências no mundo afora e isso é o mais importante, pois se fosse pelo lucro já teríamos desistido” – finaliza Liduina.

 

Confira aqui a materia publicada no Boletim Informativo – O Candeeiro – do Programa Uma Terra e Duas Águas –Ceará.

   

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© Projeto Dom Helder Camara