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Jornal Meio Norte - 27/11/2008

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TERESINA, 27 DE NOVEMBRO DE 2008

 

Teresina terá festival de vídeo e dança

 

Eles não são somente um grupo musical, mas um projeto social que nasceu a partir da fusão da banda Mentes Divergentes, da cidade de Paulo Afonso, na Bahia, através do músico Marco La Per Si, com a banda Cabelo de Nêga, em São Raimundo Nonato. Daí surgiu o Ramami que, ao pé da letra,  significa reedição anarquista do movimento alternativo de música do interior. Na Bahia, Marco conta que tocava rock pop e seu grupo trabalhava com composições de Raul Seixas, Lenine, Nando Reis, Beatles, dentre outros. Já a Cabelo de Nêga tocava reggae no sertão piauiense. Em comum, os artistas tinham o movimento social, já que a turma de São Raimundo Nonato desenvolviaprojetos sociais na comunidade quilombola Lagoa das Emas. Os artistas estão inseridos na comunidade e são considerados não como estrelas pop, mas como agentes sociais que ministram aulas de percussão, desenvolvem a capoeira e encantam com reggae, pop, rock e tem um repertório formado de 70% de canções próprias. Reconhecida e com boa aceitação na cidade, Marco diz que o Ramami foi convidado para representar a comunidade na Feira da Reforma Agrária (Ferapi).

“Ramami é, na verdade, um grupo musical dentro do movimento e tem em sua formação estudantes da Universidade Estadual do Piauí e Universidade Vale do São Francisco (Univasf) e ainda professores”, diz.

Ao fazer música, o grupo não encara a atividade como hobby ou simplesmente para fazer o público se divertir. A letra é, em muitas ocasiões, usada como denúncia social e tem proposta de fazer o público, sobretudo o jovem, a refletir. “Não somos um movimento de ôba-ôba, falamos sobre a natureza, a vida, mas também sobre os sonhos”, diz Marco. Ele destaca algumas canções do Ramami. Entre elas, a própria “Cabelo de Nêga”, uma canção multicultural que reflete sobre o modismo e os estilos; “Pétala da vida”, um pop rock que fala sobre o sertão, a terra, as possibilidades de vida e a força das pessoas. Com uma proposta diferente de fazer música, a banda é consciente de que escolheu o caminho mais difícil para ter aceitação mercadológica. “Atuamos mais em uma linha alternativa, com repertório próprio e tocamos o que gostamos e acreditamos”, informa Marco. Pelo menos por enquanto, Ramami não vai se render às tendências de mercado. Quem gosta do grupo, escuta o que o movimento faz.

 

 

Grupo atua em várias frentes de trabalho

 

Ramami funciona como uma entidade organizada. Cada investimento e projeto é discutido e planejado entre os integrantes. “Boa parte do nosso grupo faz parte da comunidade quilombola e lá trabalhamos capoeira, dança de São Gonçalo. Temos como proposta fortalecer os grupos afros”, diz, declarando que o grupo insere elementos da cultura local nas canções. O movimento também atua dentro do Projeto D. Helder, que atende 375 famílias na região. Mesmo sem ser uma banda tradicional, Ramami está iniciando processo de gravação e um CD com seis a oito faixas que deve sair no final do ano e o piauiense pode esperar um som especial, com músicas no estilo de Bob Marley, Lenini, Nando Reis, que são algumas das influências da turma composta por Azuafro (vocal e guitarra), DJ Brunão (vocal), Isadora (vocal e estudante da Univasfe Uespi), Mimi (bateria), Alexandre(contrabaixo e vocal), Zelita (vocal), Ademir Quaresma (guitarra, vocal e professor da Uespi), Marco Lapersi (violão, vocal e sax). Dentro do movimento, há proposta de criar o G2, um grupo paralelo que sairá a partir das oficinas de percussão, berimbau, flauta doce e teoria musical. Trabalhando a formação, pesquisando elementos da cultura popular e preservando as tradições, o grupo segue seu caminho e, segundo os músicos, as músicas agradam e são executadas nas rádios de São Raimundo Nonato e têm aprovação do público, sobretudo da comunidade que se vê representada através desses jovens que produzem música de um jeito todo peculiar. (I.C.)

   

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